1 - Qual foi sua inspiração para começar a escrever?
Eu escrevo desde que me entendo por gente. Com 3-4 anos, eu já escrevia pequenas histórias e diários. Minha vó cuidava de mim, mas não sabia ler, então ela inventava as melhores histórias; eu me divertia imaginando com ela. Acho que começou assim.
2 - Quais autores ou obras influenciaram seu estilo de escrita?
Tantos! Além da minha avó, eu diria Cora Coralina, Dr. Seuss, Giselda Laporta Nicolelis, Tatiana Belinky e Roseana Murray. Gosto de ajudar as crianças a aprender, mas também divertir os adultos que leem junto com elas, misturar o aprendizado com humor ou a história de uma maneira simples que uma criança possa aprender. Gosto de motivar, de inspirar sentimentos e esperança.
3 - Como você lida com o bloqueio criativo?
Eu caminho, leio, vejo as coisas. Eu sou muito curiosa, então acabo andando pela cidade no meu tempo livre e deixando a curiosidade me guiar: o que tem nessa rua? E se eu dobrar em uma esquina diferente? Deixo a curiosidade que tenho desde criança ir me guiando e, quando percebo, já tem uma coisa nova na minha mente. Às vezes, eu escrevo para sanar as minhas próprias curiosidades.
4 - Quais desafios você enfrentou durante sua jornada como escritor(a)?
Foram vários. No começo, quando criança, eu sonhava em ser escritora, mas não via como. Eu não cresci cercada de livros; eles eram muito raros quando eu era pequena. Eu lia manuais de como montar móveis, dicionários, então, quando conseguia ler um livro, era a coisa mais mágica do mundo. Bem, eu cresci e tive que trabalhar. O sonho de ser escritora ficou guardado lá no fundo por causa da necessidade do dia a dia. Foi somente após morar alguns anos nos Estados Unidos que vi a oportunidade aparecer e me deixei sonhar novamente. A dificuldade agora é fazer tudo sozinha, encontrar ilustração, editar, escrever, divulgar, mas sinceramente eu acho cansativo e recompensador. É um sonho que eu escolhi e amo de todo coração.
5 - Você já teve experiências significativas com seus leitores? Alguma história que gostaria de compartilhar?
Acho que a experiência mais significativa foi com a minha prima. Quando ela era bem pequena, tentamos de tudo para fazer um arco-íris aparecer e acabamos conseguindo de um jeito totalmente inesperado: ele surgiu naturalmente. Decidi transformar esse momento real, que poderia ter passado despercebido, em uma história encantadora para um livro infantil.
Apresentei o projeto a ela, que hoje já é adolescente, e ela ficou muito feliz por ser a protagonista. O livro se chama How to Make a Rainbow (Como Fazer um Arco-Íris). Ainda não o publiquei porque sou muito perfeccionista com ele — por ser um dos mais importantes para mim, quero encontrar a ilustração perfeita antes de lançá-lo —, mas me encheu de alegria ver ela tão feliz e ainda lembrar dessa história.
6 - Como é o seu processo de escrita? Você segue uma rotina específica?
Eu não sigo rotina específica, talvez devesse. Eu rascunho no papel ou no Word quando minha cabeça fica cheia de ideias. Às vezes, gravo em um grupo de celular em que só estou eu; assim, a ideia começa a tomar forma. Depois, eu imagino aquilo tudo acontecendo na minha mente; assim, consigo enxergar os personagens, os cenários e então vou refinando até parecer bom o suficiente para apresentar ao público.
7 - Qual é o impacto que você espera que suas obras tenham nos leitores?
Eu gostaria de trazer a eles melhor compreensão do mundo e de si mesmos, trazer aqueles sentimentos mágicos e maravilhosos que eu sentia quando era criança e conseguia um livro. Se eu conseguir transmitir isso a pelo menos uma criança, lhe dar esperança, minha missão estará cumprida.
8 - Quais são seus planos para o futuro? Você está trabalhando em algum novo projeto?
Gostaria de deixar algum recado para os leitores do Lost Words e para seus futuros leitores?
Eu planejo continuar escrevendo mais e mais. Tenho ideias que não acabam e pouco tempo para fazê-las. No momento, eu estou começando a escrever um livrinho infantil chamado Cabelo de Mola, inspirado na minha infância. Ainda vai demorar para ficar pronto, pois terminei recentemente de produzir From Recife to New Amsterdam — How a War in Brazil Helped Shape Jewish New York, que fala sobre os judeus que saíram do Recife após a retomada portuguesa e formaram a primeira comunidade deles em New Amsterdam, cidade que mais tarde se tornaria Nova York; Your Heart Knows Who You Are, que eu fiz pensando no combate ao bullying, que mostra às crianças que elas têm valor próprio, que pedir ajuda a um adulto é um ato de coragem e que não devem deixar palavras ruins que os outros dizem entrar na sua mente e definir seu valor; Emotional Damage Dog, que é super engraçado, conta sobre uma menina tentando treinar o cachorro pra ser cão de suporte emocional, mas ele é um shiba inu, um dos cachorros mais teimosos; e When My Heart Feels Tight, New York Hugs Me Tighter, que fala sobre uma garotinha brasileira se adaptando a Nova York e aprendendo a ter e amar seus dois lares.
Gostaria também de produzir ou traduzir meus livros para o português. Por fim, agradeço aos leitores e a você pela entrevista.
Sobre sua(s) obra(s):
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Sobre o(a) autor(a):
Vivian Santos é uma autora brasileira radicada em Nova York. Seus livros exploram temas como infância, identidade, pertencimento, diversidade cultural, história, fé e desenvolvimento emocional, sempre buscando conversar com as crianças de forma leve, sensível e envolvente.
Nascida em Vitória de Santo Antão, no interior de Pernambuco, Vivian passou os primeiros nove anos de sua vida na região. Depois, mudou-se para o Amazonas e, mais tarde, para o Pará, onde viveu até os dezessete anos. Crescer entre regiões brasileiras tão diferentes despertou cedo sua curiosidade por culturas, lugares, palavras e pelas histórias que conectam as pessoas.
Seu amor pela leitura começou de uma forma pouco convencional. Durante boa parte da infância, enquanto seus pais trabalhavam, Vivian ficava aos cuidados da avó, que não sabia ler nem escrever. Como livros infantis eram raros em casa, ela lia tudo o que encontrava: dicionários, manuais, a Bíblia e qualquer material impresso ao seu alcance. Talvez justamente por serem tão raros, os livros se tornaram verdadeiros tesouros; cada um parecia um novo amigo.
Ainda criança, começou também a escrever diários, usando as palavras para imaginar, observar o mundo e registrar seus sonhos, como uma forma de garantir que a Vivian adulta não esquecesse as ideias da menina que um dia foi.
Vivian é bacharel em Relações Internacionais e possui ampla experiência trabalhando com crianças. Sua trajetória entre diferentes regiões do Brasil e, posteriormente, sua vida nos Estados Unidos também influenciam profundamente sua escrita.
Por meio da Vivinha Books, cria histórias que unem imaginação, humor, emoção, diversidade cultural e aprendizado. Entre suas obras estão The Flying Hat Goes to the Farm, God Knows Who You Are, When My Heart Feels Tight, New York Hugs Me Tighter, Your Heart Knows Who You Are, What a Silly, Silly Cat! e From Recife to New Amsterdam: How a War in Brazil Helped Shape Jewish New York.
Seu objetivo como autora é criar para outras crianças um pouco daquilo que os livros representaram para ela: companhia, descoberta, imaginação e a possibilidade de enxergar um mundo muito maior.
Beijos!



