Lost Words

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1 - Qual foi sua inspiração para começar a escrever?
Cresci em um lar onde as ideias e a liberdade de pensamento eram fundamentais. Meu pai foi preso pela Ditadura Militar no Congresso da UNE em Ibiúna, e minha mãe é uma artista que carrega Augusto dos Anjos em sua árvore genealógica. Em nossa casa, a poesia e a literatura sempre fizeram parte do cotidiano. Comecei a ler muito cedo: aos três anos, devorava a coleção de Monteiro Lobato; aos oito, escrevia meus primeiros poemas; e, aos onze, me apaixonei pelas obras de Agatha Christie. Com catorze anos, escrevi meu primeiro livro infantil, O Diamante Cor-de-Rosa.

Mais tarde, como promotora de Justiça, compreendi profundamente o que José Américo de Almeida (que também pertenceu ao Ministério Público) escreveu no prefácio de A Bagaceira: existem muitas maneiras de dizer a verdade, e talvez uma das mais persuasivas seja contando uma mentira. Adotei essa perspectiva para a minha vida: a ficção é uma ferramenta para olhar para dentro e expressar nossas verdades de forma mais lúdica, acessível e provocadora.

2 - Quais autores ou obras influenciaram seu estilo de escrita?
A paixão pela literatura de mistério começou na infância com Agatha Christie e se consolidou ao longo da vida com mestres que aliam rigor narrativo e reflexão. Se eu tivesse que escolher apenas um livro para salvar em uma espaçonave no fim do mundo, seria O Nome da Rosa, de Umberto Eco. Também sou profundamente marcada pelo pensamento de autores que dissecam a condição humana e as estruturas sociais, como Zygmunt Bauman e Michel Foucault. Este último, influência dos tempos de faculdade, impregnou-se em mim de tal modo que hoje sussurra nas entrelinhas das teorias conspiratórias dos meus livros.

Mary Shelley, com seu Frankenstein, foi crucial para me fazer entender que é possível adicionar densidade filosófica ao suspense, trabalhando temas como os limites éticos do poder e a relativização de onde está o verdadeiro monstro. Na literatura contemporânea, acredito muito na descolonização da narrativa: não precisamos importar fórmulas prontas ou cenários anglo-saxões para criar ficção de altíssimo nível. O Brasil contemporâneo tem uma matéria-prima humana, social e política riquíssima. Nesse contexto, aprecio o trabalho de Raphael Montes, que conseguiu provar que o suspense não depende do eurocentrismo.

3 - Como você lida com o bloqueio criativo?
Não encaro a página em branco com medo; sinto entusiasmo. A tela vazia não me intimida, ela me instiga. Costumo descrever a imaginação do escritor como um bicho meio desvairado, que pode parecer assustador enquanto não aprendemos a domá-lo. Mas, depois que dominamos a técnica para conduzi-lo, a tela branca vira um verdadeiro paraíso. Costumo dizer que difícil não é escrever; difícil é viver, que não tem tecla delete nem processo de edição.

4 - Quais desafios você enfrentou durante sua jornada como escritor(a)?
Há os desafios universais da rotina de quem escreve: insônia, dores na coluna, a ausência da família e a vida real acontecendo enquanto orbitamos fora do tempo. No mercado brasileiro, enfrentamos um círculo vicioso perverso: algumas livrarias não dão vitrine e as editoras receiam arriscar tiragens altas para produções nacionais que não sejam notoriamente consagradas. Falta curadoria especializada e efetivamente democrática para fazer chegar cada literatura ao seu leitor ideal. Além disso, produzir ficção policial e suspense sendo mulher traz a urgência de furar bolhas e honrar as antepassadas que não tiveram a oportunidade de tornar a autoria feminina visível e respeitada no gênero.

5 - Você já teve experiências significativas com seus leitores? Alguma história que gostaria de compartilhar?
Tenho os melhores leitores do mundo. Há uns quinze anos, vi o comentário de uma moça chamada Neyla em uma resenha do meu livro A Corte Infiltrada. Ela dizia que suspense não era para ela. Entrei em contato por e-mail e a desafiei a ler o livro, prometendo deixá-lo em sua casa. Se ela não gostasse, poderia declarar publicamente que eu havia perdido o desafio. Ela aceitou, adorou a leitura e nunca mais parou de ler o gênero. Anos depois, em um encontro na Bienal da Bahia, reencontrei a Neyla , hoje administradora do perfil @CDM_blog. Ela trouxe aquele mesmo exemplar amarelado da primeira tiragem , com uma capa bem diferente que nem circula mais pelas livrarias. Foi um momento emocionante, em que abracei não apenas a leitora que estava ali como creator, meu abraço abarcou um pouco de mim mesma, a escritora que eu fui  no início dessa jornada.

6 - Como é o seu processo de escrita? Você segue uma rotina específica?
Minha escrita exige taquicardia. Tenho para mim que no texto literário precisa existir aquela sensação de urgência vital,  quase como se você não pudesse morrer antes de ver o livro pronto, porque se o autor não sente essa pulsação, o texto não está maduro o suficiente. Como escrevo romance policial, a história e a ação vêm em primeiro lugar: o enredo precisa ser impecável, arquitetado com malícia de narrador, ambiguidade nos diálogos e cenários que plantem pistas subliminares. Na prática, concilio essa engrenagem com a carreira jurídica escrevendo nos momentos de concentração que cavo na rotina, trabalhando a trama para que o bicho da imaginação ande lado a lado com a técnica.

7 - Qual é o impacto que você espera que suas obras tenham nos leitores?
O leitor se torna meu cúmplice desde a primeira linha. Temos um acordo tácito: ele sabe que vou enganá-lo ao longo da trama e se submete a isso de bom grado É uma manipulação consentida, e levo minhas obrigações nesse pacto muito a sério. Tenho leitores maravilhosos que sofrem com a narrativa, pulam refeições e varam a madrugada sem conseguir fechar o livro. O maior retorno é quando recebo mensagens dizendo que o enredo tirou o fôlego deles ou que o final provocou aquela reação que busco em todo plot twist: a pessoa volta os capítulos para trás, estupefata, resmungando: “Como foi que eu não percebi isso antes?" Quero, antes de tudo, tirá-los da inércia com uma boa dose de adrenalina e entretenimento inteligente. Mas não escrevo para entregar respostas mastigadas: meus livros buscam despertar o senso crítico sobre temas contemporâneos urgentes, sejam os bastidores da Justiça, dilemas bioéticos, tecnologia ou o choque entre o progresso desenfreado e o que nos define como humanidade . Espero que o leitor feche o livro transformado pela dúvida e pela transcendência, inquieto com as zonas cinzentas da realidade em vez de se contentar com maniqueísmos superficiais.

8 - Quais são seus planos para o futuro? Você está trabalhando em algum novo projeto?
O trabalho não para. Sigo debruçada na escrita de um novo romance  e na circulação das minhas obras já publicadas (Presunção de Inocência, Jogo de Cena, Corpos Hackeados e A Corte Infiltrada). Também estou curtindo muito o passo a passo do  processo de edição de Corpos Hackeados em espanhol, que será publicado  em breve no Chile. É fascinante ver sua obra ganhar expressão em outra língua, sobretudo quando há um cuidado por parte da editora de preservar o sentido original das palavras , dado que minha obra tem muitos detalhes de regionalismo. No mais, meu compromisso literário permanente é continuar explorando as tensões contemporâneas e trazendo a verossimilhança do crime e sua investigação sob a ótica de quem trabalha com isso na vida real,  fortalecendo o diálogo com leitores dentro e fora do país, em feiras literárias, bienais e espaços acadêmicos

Gostaria de deixar algum recado para os leitores do Lost Words, e para seus futuros leitores?
Para quem ama o suspense e o romance policial: o convite que faço com meus livros é atravessar a fita de isolamento da cena do crime e entrar por portas que normalmente ficam trancadas.

Não escrevo sobre o mistério apenas a partir do que li nos manuais, mas a partir do chão de fábrica onde as decisões reais acontecem:  do cheiro dos inquéritos, das madrugadas de plantão, da tensão técnica de uma perícia e daquela zona cinzenta dos bastidores onde a verdade nunca é tão limpa quanto nos discursos oficiais.

A promessa que deixo aos leitores do Lost Words é a de um pacto de cumplicidade sem atalhos: tramas eletrizantes, sim, mas construídas com a carne, a poeira e a vertigem de quem conhece de perto a engrenagem humana que move a justiça. Preparem para aprender sobre o combate o crime com os truques reais  que os livros não mencionam, e preparem o fôlego para mergulhar no que quase ninguém tem autorização para ver.

Sobre sua(s) obra(s):


Sinopse: O início das aulas na cobiçada faculdade nova era o grande sonho daqueles jovens, que queriam se tornar os maiores criminalistas do país. O que eles não esperavam era que os conflitos humanos e crimes intrigantes saíssem das páginas dos livros e envolvessem suas próprias vidas, colocando-os em perigo e desafiando sua capacidade de aprendizado rápido.

Para decifrar os enigmas e se livrar das ameaças que vão aparecendo a cada dia, esses estudantes precisarão contar com os ensinamentos de uma dupla de professores de métodos heterodoxos, com quem descobrirão os truques e a malícia para enfrentar a alta criminalidade de um modo que não se aprende em cartilhas acadêmicas.

Entretanto, para vencer os criminosos, eles também terão que superar a competitividade de uma universidade de elite, vencer suas limitações e traumas pessoais e saber lidar com as paixões juvenis que começam a aflorar. - Compre aqui!


Sinopse: Quando a bioimpressão de órgãos humanos , criada por um cientista nordestino, se torna realidade em um hospital da mesma região , assassinatos misteriosos começam a expor uma possível conspiração que envolve tráfico internacional de órgãos , fanatismo religioso e corrupção institucional. E quando uma auditora investiga o sistema, a ciência entra em rota de colisão com o poder , e ela se depara com a perturbadora pergunta : no mundo atual , quem decide quais corpos realmente merecem viver ? E como isso se tornou a maior ferramenta de poder da era contemporânea? - Compre aqui!


Sinopse: Um monge budista morre misteriosamente em um quarto de hotel em Brasília horas antes de um encontro com o presidente do Supremo Tribunal Federal, com pouca repercussão na grande mídia. Neurocientistas de um instituto de pesquisa do Recife desenvolvem uma poderosa máquina de estimulação magnética transcraniana. Um repórter investigativo, bonito e atraente como manda o figurino, faz pesquisas para uma matéria sobre o novo sistema de telecomunicações a ser implantado no STF, que será criptografado e à prova de escuta. A partir destes eventos aparentemente desconectados Andrea Nunes constrói a trama de "A Corte Infiltrada", um intrigante thriller policial trespassado pela realidade brasileira atual, em que julgamentos do STF são acompanhados como telenovelas e o crime organizado perpetra barbáries medievais em presídios e nas ruas de todo o país para consolidar e expandir seu poder. Como é indispensável na literatura de mistério, os fatos sempre estão à frente do leitor. O enredo avança com engenhosa mobilidade de cenários, em uma sucessão de reviravoltas e revelações, pontuado por enigmas escondidos em mandalas e armas neurológicas, enquanto você é apresentado a revoluções deste novo milênio como o iBrain. - Compre aqui!


Sinopse: A morte de um boticário francês na fictícia cidade de Mangueirinhas desencadeia uma sucessão de outros crimes aparentemente provocados por assombrações do folclore nordestino, levando a pacata população local a um estado de histeria coletiva. Para solucionar tais crimes, a delegada da cidade precisa superar as desavenças que cultiva com o filho de seu padrasto, um historiador que regressou à cidade, mas que renega o parentesco e as origens. Num romance policial eletrizante, Andrea Nunes utiliza informações verídicas sobre o mais ousado projeto científico da humanidade e traz revelações sobre a crise mundial do Petróleo, numa obra recheada de estratégias de espionagem, ação, suspense e reviravoltas, arrematando, como sempre, com um final desconcertante para o leitor. - Compre aqui!

Sobre o(a) autor(a):


Andrea Nunes é escritora , procuradora de Justiça em Pernambuco, membro da Associação Brasileira de Escritores de Romance Policial, Suspense e Terror - ABERST, sócia honorária da Academia Paraibana de Letras e membro da Academia Feminina de Letras e Artes da Paraíba .
Publicou os romances policiais o Código Numerati em 2010, A Corte Infiltrada, (Ed. Buzz, Prêmio Bunkyo de Literatura 2019) Jogo de Cena (Ed. CEPE, Prêmio ABERST de Literatura 2019- melhor romance policial do Brasil) e Corpos Hackeados (Ed. CEPE , 2021, com roteiro assinado pela cineasta Tizuka Yamasaki para adaptação dessa obra para o audiovisual, projeto Corpos Hackeados – o filme, registrado na ANCINE sob o no 01416.006973/2023-38). Andrea também detém menção honrosa conferida pela Academia Pernambucana de Letras como melhor escritora nordestina no prêmio Dulce Chacon no ano de 2015.
Na Sorbonne Nouvelle , bem como na livraria portuguesa e brasileira , conversou em 2025 sobre suas obras e sobre a interdisciplinaridade entre Literatura e Direito, e sobre romance policial brasileiro.
Seu novo romance , Presunção de Inocência , ambientado num campus universitário, traz à tona alguns temas sensíveis como cultura do estupro , silenciamento das vítimas e relações de poder, bem como elitização dos cursos jurídicos .A obra traz recomendação na contracapa de: Raphael Montes, Andréa Pachá e Tizuka Yamasaki

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Beijos!
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Se a minha resenha ainda não te convenceu a conhecer A Fera de Três Faces, trouxe mais 5 motivos para colocar esse livro na lista!






Essa foi uma daquelas histórias que me fizeram mergulhar de cabeça no universo e esquecer completamente do horário. Então sim, estou fazendo meu papel e tentando convencer mais pessoas a conhecer essa obra também.


Passa para o lado e depois me conta: qual desses motivos mais despertou sua curiosidade?

Beijos e bom final de semana!
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Nova coleção de Halloween da Fanta: a
Eu: 📷

Já podemos oficialmente entrar no clima de Halloween? 
Porque eu já estou pronta.






Essa última foto me representa mais do que deveria:
um lado dark e o outro com a capinha da Kuromi toda fofinha.
O equilíbrio perfeito, eu diria.

Vocês já experimentaram esse novo sabor de Fanta? Gostaram? Me conta!
Beijos!
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Título: A Fera de Três Faces
Autor(a): Ana Flávia G. Machado
Páginas: 483
Ano: 2025
Link para Compra

Sinopse: Após 28 anos isolado, o Grão-Duque de Draíochtach decide abrir as portas de seu palácio para um baile de máscaras de sete noites para os jovens da corte. Fadada à se comprometer a um possível casamento enfadonho e arranjado por conveniência, Ariyah Clé e seu irmão, Diarmaid, selam um acordo para mudar o destino da jovem: se durante o baile Ariyah encontrar um novo pretendente – de status igual ou maior que seu atual prometido – estará livre para casar-se com quem escolher. Ariyah Clé, que por anos esperou pela sua chance de retornar à vida da sociedade nobre, sente que este baile poderá mudar sua vida e, quem sabe, ser seu ingresso para um mundo mais livre.

Como esperado por todos, o baile do misterioso Grão-Duque se revela ser totalmente rico em exuberância. Com comidas e bebidas saborosas e atrações excêntricas, nada parece chegar aos pés do capricho das fantasias que o nobre providenciou para seus criados e para si mesmo. Vestindo o que seria uma fantasia peculiar com uma máscara de coelho, cobrindo toda sua cabeça, e uma cauda de leão presa em sua calça, o Grão-Duque faz uma referência direta a seu nome: Bunny-Lion. Seus criados, por sua vez, seguem a mesma proposta e exibem máscaras de animais que preservam totalmente suas verdadeiras identidades; sendo algumas mais intimidadoras do que outras.

Entre noites de dança e romance, a jovem Clé irá perceber que nem todos os contos de fadas são belos, e podem se tornar extremamente violentos e sombrios. Quando as máscaras caírem, nada impedirá o sangue de ser derramado e escolhas difíceis deverão ser tomadas.


Após 28 anos isolado, o misterioso Grão-Duque de Draíochtach decide abrir as portas de seu palácio para um baile de máscaras que durará sete noites.

É nesse baile que Ariyah Clé enxerga uma chance de escapar de um casamento arranjado: se encontrar um pretendente de status igual ou superior ao seu atual noivo, estará livre para escolher com quem quer se casar.

Mas aquele está longe de ser um baile comum. O próprio Grão-Duque esconde o rosto sob uma enorme máscara de coelho e usa uma cauda de leão, enquanto seus criados também assumem figuras de animais. E, por trás de toda a beleza e exuberância das festas, existe algo muito mais sombrio esperando para vir à tona.

E gente... EU ESTOU APAIXONADA POR ESSE LIVRO.

Foi uma daquelas leituras de “só mais um capítulo” que terminou comigo acordada até de madrugada, e depois ainda sonhei com o Grão-Duque.

A escrita da autora é muito fluida e instigante. Os personagens são muito bem construídos e adorei principalmente o espaço dado aos secundários, porque vários deles têm importância de verdade na história. Também amei os cenários e toda a atmosfera criada; em vários momentos conseguia me imaginar ali ao lado da Ariyah.

Desconfiei de algumas coisas pelo caminho, mas isso não impediu que as revelações me pegassem de jeito. Amei personagens, odiei outros, fiquei tensa, me arrepiei e senti MUITA coisa durante essa leitura.

E o final? Para mim, perfeito.

⭐ 5/5 + favoritado!

Só não sei o que diz sobre mim o fato de, depois de tudo, eu ter terminado apaixonada pelo Bunny-Lion.

Disponível na Amazon e Kindle Unlimited!

Depois dessa resenha: você aceitaria um convite para esse baile?
Beijos!
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São 14 anos de histórias, aprendizados, mudanças e muitos momentos que fizeram tudo isso chegar até aqui.

Hoje, mais do que comemorar uma data, quero agradecer. A cada pessoa que acompanha meu trabalho, que confia em mim, que indica, apoia e escolhe o LW. E, principalmente, a quem esteve por aqui ao longo desses anos e decidiu ficar. 🖤

Muita coisa mudou desde o começo, mas a gratidão por poder continuar fazendo o que amo permanece a mesma.

Obrigada por fazerem parte desses 14 anos. Que venham muitos outros!
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1 - Qual foi sua inspiração para começar a escrever?
Eu escrevo desde que me entendo por gente. Com 3-4 anos, eu já escrevia pequenas histórias e diários. Minha vó cuidava de mim, mas não sabia ler, então ela inventava as melhores histórias; eu me divertia imaginando com ela. Acho que começou assim.

2 - Quais autores ou obras influenciaram seu estilo de escrita?
Tantos! Além da minha avó, eu diria Cora Coralina, Dr. Seuss, Giselda Laporta Nicolelis, Tatiana Belinky e Roseana Murray. Gosto de ajudar as crianças a aprender, mas também divertir os adultos que leem junto com elas, misturar o aprendizado com humor ou a história de uma maneira simples que uma criança possa aprender. Gosto de motivar, de inspirar sentimentos e esperança.

3 - Como você lida com o bloqueio criativo?
Eu caminho, leio, vejo as coisas. Eu sou muito curiosa, então acabo andando pela cidade no meu tempo livre e deixando a curiosidade me guiar: o que tem nessa rua? E se eu dobrar em uma esquina diferente? Deixo a curiosidade que tenho desde criança ir me guiando e, quando percebo, já tem uma coisa nova na minha mente. Às vezes, eu escrevo para sanar as minhas próprias curiosidades.

4 - Quais desafios você enfrentou durante sua jornada como escritor(a)?
Foram vários. No começo, quando criança, eu sonhava em ser escritora, mas não via como. Eu não cresci cercada de livros; eles eram muito raros quando eu era pequena. Eu lia manuais de como montar móveis, dicionários, então, quando conseguia ler um livro, era a coisa mais mágica do mundo. Bem, eu cresci e tive que trabalhar. O sonho de ser escritora ficou guardado lá no fundo por causa da necessidade do dia a dia. Foi somente após morar alguns anos nos Estados Unidos que vi a oportunidade aparecer e me deixei sonhar novamente. A dificuldade agora é fazer tudo sozinha, encontrar ilustração, editar, escrever, divulgar, mas sinceramente eu acho cansativo e recompensador. É um sonho que eu escolhi e amo de todo coração.

5 - Você já teve experiências significativas com seus leitores? Alguma história que gostaria de compartilhar?
Acho que a experiência mais significativa foi com a minha prima. Quando ela era bem pequena, tentamos de tudo para fazer um arco-íris aparecer e acabamos conseguindo de um jeito totalmente inesperado: ele surgiu naturalmente. Decidi transformar esse momento real, que poderia ter passado despercebido, em uma história encantadora para um livro infantil.
Apresentei o projeto a ela, que hoje já é adolescente, e ela ficou muito feliz por ser a protagonista. O livro se chama How to Make a Rainbow (Como Fazer um Arco-Íris). Ainda não o publiquei porque sou muito perfeccionista com ele — por ser um dos mais importantes para mim, quero encontrar a ilustração perfeita antes de lançá-lo —, mas me encheu de alegria ver ela tão feliz e ainda lembrar dessa história.

6 - Como é o seu processo de escrita? Você segue uma rotina específica?
Eu não sigo rotina específica, talvez devesse. Eu rascunho no papel ou no Word quando minha cabeça fica cheia de ideias. Às vezes, gravo em um grupo de celular em que só estou eu; assim, a ideia começa a tomar forma. Depois, eu imagino aquilo tudo acontecendo na minha mente; assim, consigo enxergar os personagens, os cenários e então vou refinando até parecer bom o suficiente para apresentar ao público.

7 - Qual é o impacto que você espera que suas obras tenham nos leitores?
Eu gostaria de trazer a eles melhor compreensão do mundo e de si mesmos, trazer aqueles sentimentos mágicos e maravilhosos que eu sentia quando era criança e conseguia um livro. Se eu conseguir transmitir isso a pelo menos uma criança, lhe dar esperança, minha missão estará cumprida.

8 - Quais são seus planos para o futuro? Você está trabalhando em algum novo projeto?
Gostaria de deixar algum recado para os leitores do Lost Words e para seus futuros leitores?
Eu planejo continuar escrevendo mais e mais. Tenho ideias que não acabam e pouco tempo para fazê-las. No momento, eu estou começando a escrever um livrinho infantil chamado Cabelo de Mola, inspirado na minha infância. Ainda vai demorar para ficar pronto, pois terminei recentemente de produzir From Recife to New Amsterdam — How a War in Brazil Helped Shape Jewish New York, que fala sobre os judeus que saíram do Recife após a retomada portuguesa e formaram a primeira comunidade deles em New Amsterdam, cidade que mais tarde se tornaria Nova York; Your Heart Knows Who You Are, que eu fiz pensando no combate ao bullying, que mostra às crianças que elas têm valor próprio, que pedir ajuda a um adulto é um ato de coragem e que não devem deixar palavras ruins que os outros dizem entrar na sua mente e definir seu valor; Emotional Damage Dog, que é super engraçado, conta sobre uma menina tentando treinar o cachorro pra ser cão de suporte emocional, mas ele é um shiba inu, um dos cachorros mais teimosos; e When My Heart Feels Tight, New York Hugs Me Tighter, que fala sobre uma garotinha brasileira se adaptando a Nova York e aprendendo a ter e amar seus dois lares.
Gostaria também de produzir ou traduzir meus livros para o português. Por fim, agradeço aos leitores e a você pela entrevista.

Sobre sua(s) obra(s):


Confira toda as obras da autora clicando AQUI!

Sobre o(a) autor(a):


Vivian Santos é uma autora brasileira radicada em Nova York. Seus livros exploram temas como infância, identidade, pertencimento, diversidade cultural, história, fé e desenvolvimento emocional, sempre buscando conversar com as crianças de forma leve, sensível e envolvente.
Nascida em Vitória de Santo Antão, no interior de Pernambuco, Vivian passou os primeiros nove anos de sua vida na região. Depois, mudou-se para o Amazonas e, mais tarde, para o Pará, onde viveu até os dezessete anos. Crescer entre regiões brasileiras tão diferentes despertou cedo sua curiosidade por culturas, lugares, palavras e pelas histórias que conectam as pessoas.
Seu amor pela leitura começou de uma forma pouco convencional. Durante boa parte da infância, enquanto seus pais trabalhavam, Vivian ficava aos cuidados da avó, que não sabia ler nem escrever. Como livros infantis eram raros em casa, ela lia tudo o que encontrava: dicionários, manuais, a Bíblia e qualquer material impresso ao seu alcance. Talvez justamente por serem tão raros, os livros se tornaram verdadeiros tesouros; cada um parecia um novo amigo.
Ainda criança, começou também a escrever diários, usando as palavras para imaginar, observar o mundo e registrar seus sonhos, como uma forma de garantir que a Vivian adulta não esquecesse as ideias da menina que um dia foi.
Vivian é bacharel em Relações Internacionais e possui ampla experiência trabalhando com crianças. Sua trajetória entre diferentes regiões do Brasil e, posteriormente, sua vida nos Estados Unidos também influenciam profundamente sua escrita.
Por meio da Vivinha Books, cria histórias que unem imaginação, humor, emoção, diversidade cultural e aprendizado. Entre suas obras estão The Flying Hat Goes to the Farm, God Knows Who You Are, When My Heart Feels Tight, New York Hugs Me Tighter, Your Heart Knows Who You Are, What a Silly, Silly Cat! e From Recife to New Amsterdam: How a War in Brazil Helped Shape Jewish New York.
Seu objetivo como autora é criar para outras crianças um pouco daquilo que os livros representaram para ela: companhia, descoberta, imaginação e a possibilidade de enxergar um mundo muito maior.

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Título: Bebê Antirracista
Autor(a): Ibram X. Kendi
Editora: Gaudí Editorial
Páginas: 32
Ano: 2026
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Bebê Antirracista parte de uma ideia tão simples quanto importante: ninguém nasce racista ou antirracista. Esses comportamentos são aprendidos e, justamente por isso, a educação pode ter um papel fundamental na construção de uma sociedade diferente.

Ao longo do livro, Ibram X. Kendi apresenta nove passos para introduzir o antirracismo desde a infância. Em vez de tentar esconder das crianças assuntos considerados difíceis, como racismo, desigualdade e injustiça, a obra propõe exatamente o contrário: conversar sobre eles de uma maneira adequada à idade, ensinando as crianças a reconhecer diferenças sem transformá-las em motivos para discriminação.


Uma coisa que gostei bastante é que o livro não fica apenas naquela mensagem genérica de que “somos todos iguais”. Ele reconhece que as diferenças existem e mostra que o problema está na maneira desigual como as pessoas podem ser tratadas por causa delas. Também fala sobre identificar o racismo, não permanecer em silêncio diante dele e compreender que algumas desigualdades são resultado de questões sociais e políticas, e não das próprias pessoas.

Apesar de abordar um assunto complexo, a leitura é muito simples. Os textos são curtos e as ilustrações de Ashley Lukashevsky são coloridas, expressivas e cheias de diversidade, deixando tudo mais próximo do universo infantil. Ao mesmo tempo, acredito que algumas ideias ainda precisam da participação de um adulto para serem compreendidas pelas crianças, o que acaba transformando o livro em um ponto de partida para conversas entre pais, responsáveis, educadores e pequenos leitores.

Mais do que ensinar crianças a “não serem racistas”, Bebê Antirracista defende uma postura ativa: perceber injustiças, questioná-las e ajudar a transformá-las. É um livro pequeno e de leitura rápida, mas que carrega uma mensagem enorme sobre educação, respeito e sobre o tipo de sociedade que queremos construir para as próximas gerações.

Disponível na loja virtual da Global Editora, na Amazon e em diversas livrarias.
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Jáleram? Me conta!
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A Blogueira:


About Amalie

Sou a Aline Goettems Picoli, mas pode me chamar de Line. Gaúcha, leitora compulsiva e viciada em séries, filmes e jogos (sim, Far Cry 4 ainda é um xodó). Autora de contos de terror e suspense e organizadora da antologia O Lado Sombrio do Folclore. O Lost Words é meu refúgio, um lugar onde divido minhas histórias, paixões e um pedacinho de mim com o mundo. Seja bem-vindo(a)!


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