Título: O Homem que Ficou para Guardar o Ódio
Autor(a): Ellen Reis
Páginas: 209
Ano: 2026
Esse é o tipo de thriller em que o crime assusta, mas o que os seres humanos fizeram antes dele consegue ser ainda pior.
A Ellen construiu uma história muito rica em detalhes. A ambientação em Marabá, em 1963, os antigos seringais, a forma como as pessoas viviam e, principalmente, as marcas deixadas por tudo o que aconteceu naquela região no passado fizeram com que eu mergulhasse completamente na leitura.
E foi uma daquelas leituras em que, além de acompanhar a história, senti que estava aprendendo. Existem muitos detalhes sobre a região, os seringais e aquele período que eu não conhecia, e tudo isso aparece de forma muito natural dentro da trama.
A história começa com um cr1me brutal: um homem é encontrado m0rto, amarrado a uma seringueira, e a investigação do delegado Aristeu começa a mexer em coisas que aquela cidade preferia continuar escondendo.
E quanto mais a trama revelava sobre o passado, mais difícil era não sentir raiva diante de tanta injustiça.
Conforme novos cr1mes acontecem e a investigação avança, começamos a entender o que aconteceu anos antes e por que existem tantos silêncios naquela cidade.
Algumas cenas me deram um arrepio genuíno. Outras me deixaram completamente indignada. E acho que uma das coisas que mais ficaram comigo depois da leitura foi justamente essa sensação de que seres humanos conseguem ser muito mais assustadores do que qualquer “monstro”.
Também adorei como o silêncio tem um peso enorme nessa história. Existe aquela sensação constante de que algumas pessoas sabem mais do que dizem, de que existem segredos enterrados ali há muito tempo e de que os cr1mes atuais estão obrigando todo mundo a olhar novamente para aquilo que tentaram esquecer.
A investigação, a tensão, a ambientação... tudo é muito palpável. Você sente o peso daquele lugar, dos acontecimentos e das coisas que ficaram sem ser ditas por tantos anos.
É um thriller, mas para mim foi muito além de descobrir quem está por trás dos cr1mes. É uma história sobre memória, injustiça, silêncio e sobre o que acontece quando o ódio encontra motivos suficientes para sobreviver ao tempo.
Uma das minhas melhores leituras do ano, sem dúvida.
Beijos!


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